Abonnez-vous aux 
Articles
Commentaires

Adios Amigos!!!

Amigos do Ofélia - novembro 2008    Turma do Ofélia

Uma semana em Igarapava, mais 4 dias em São Paulo… …c’est tout!!!

Três ‘posts’ pra despedida, é muita coisa! Mas reflete bem o nosso processo de partida. A primeira despedida, foi em novembro: os amigos do Ofélia Fonseca sabiam que eu deixaria São Paulo para terminar as etapas do processo com nossos pais. Depois as várias despedidas do pessoal do CONSA com o fim do ano letivo. Depois a despedida não esperada da Tia Ibrantina… …e a espera pelos exames! Algumas idas e vindas Igarapava-Uberaba-São Paulo… …Cada evento, cada viagem à casa dos pais e amigos, saboreávamos como se fosse a última… … …não sei se é assim com todos!

Casa do João/março 2008

Casa do João/março 2008

OUTBACK Eldorado/ março 2008

OUTBACK Eldorado/ março 2008

Aniversário Juliano/ março 2008

Aniversário Juliano/ março 2008

Show Radio Aliança/ abril2008

Show Radio Aliança/ abril2008

Aniversário Seu Jorge/ abril 2008

Aniversário Seu Jorge/ abril 2008

C.das Alagoas/ abril 2008

C.das Alagoas/ abril 2008

abril 2008

abril 2008

Picanha Uberaba/ maio 2008

Uberaba/ maio 2008

Uberaba/ maio 2008

Sentimos o fato de a distância física entre nós e as pessoas que amamos aumentar é claro, mas sentimos muito mais a intolerância e o julgamento de quem não entende o que queremos e o que buscamos! Lamentamos profundamente!!!

E saimos!

Na rodoviária o Tio Écio disse algo parecido com isso: “É como está escrito no Eclesiastes: o que aconteceu, tornará a acontecer…!”, se referindo ao fato de em meados de 1890, o avô da Leila – Capitão Scandiuzzi – ter pego um navio na Itália, com toda família, e aportado aqui no Brasil para construir uma nova vida. E agora, 120 anos depois, fazemos o mesmo!!! Tio Écio é fogo!!!

E partimos…

 

Rodoviária de Uberaba/ 18 de maio 2008

Rodoviária de Uberaba/ 18 de maio 2008

 

La vita è adesso!

La vita è adesso!

…e chegamos na última parada para os últimos 4 dias em solo brasileiro!

Os Últimos Quatro Dias

Sem muito a acrescentar como relato, mas muito pra guardar. Praticamente arrumamos malas e mais malas e mais malas e recebemos muito carinho dos nossos amigos: nossa família metropolitana!!!

 

malas e malas e malas!

malas e malas e malas!

Jantar na casa do João Carlos

Jantar na casa do João Carlos

 

Despedida do Prof. Michel Rabinovitch e do Kendi/ UNIFESP

Despedida do Prof. Michel Rabinovitch e do Kendi/ UNIFESP

Suchi na última noite!

Sushi na Última noite (21/05/2008)

 

O check in de nossas vidas/ casa do Richard e da Mirela - 2 da manhã!

O check in de nossas vidas/ casa do Richard e da Mirela - 2 da manhã!

 

Good bye grey sky - "man alone" Army!!!

Good bye grey sky - "man alone" Army!!!

 

“…livres dessa história, a nossa trajetória não precisa explicação… …e não tem explicação!”

 

Senhores, levo a sério essa coluninha aí ao lado onde se lê “CATÉGORIES”, e especificamente nesse post, a ‘catégorie’ é “PERSONNEL”, o que significa que: se você procura informaçõe sobre imigração, pule e vá ao próximo. ‘Personnele’ é pra mamãe, Richard, Mirela, Cupinchas, para Ju K (que não é mamãe, nem cupincha, mas lê o blog e também tem um blog muuuuito legal… …vai lá!), e ‘ma belle belle mère’ D. Bete que também lê o blog – quando o tonto aqui escreve, é claro!!! Esse ‘post’ é um breve registro dos  amigos e das pessoas queridas que fizeram dos nossos últimos dias no Brasil algo realmete enriquecedor. Sem intenção de informar… …um relato com tom de ’Muito Obrigado, meus amigos’!

Bem… …vamos lá às despedidas de Madama Butterfly!

 

Igarapava, 22:30h do dia 28 de abril de 2008.

Eu, enfim, dentro de um ônibus à caminho de São Paulo cumprir a última etapa do processo no Brasil: entregar os passaportes. Seis horas de viagem acompanhado por Janis Joplin e Iggy Pop e Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana e… …e mais uma porção de pensamentos intimistas… …tipo um ‘fechar pra balanço antes do próximo ano fiscal’. Cheguei à São Paulo às 5 e pouco, larguei as malas na casa da Tia Ibrantina e fui pro consulado.

Esperei o Itaú do World Trade abrir; paguei a última taxa (1.700,00) e subi para o 16. Guichê da direita – sem fila sempre… …fiquem atentos… …não fiquem na fila nunca!; atendimento rápido, cordial e formal: “nós lhe telefonamos quando estiverem prontos!”… …aí, lá vai o brasileiro: “não é possível ficar pronto até a sexta-feira? Eu vim do interior e vou ficar aqui só praisso e blá blá blá blá…” A resposta, rápida, cordial e formal: “Quinta é feriado e sexta não há atendimento ao público. Possivelmente na segunda ou terça-feira. Entraremos em contato”. Aquele sorriso de ‘entendeu ou quer que eu escreva’ e merci!!! Habituem-se!

Eu e Leila havíamos combinado que antes de partirmos, cada um de nós ficaria uma semana em São Paulo para as despedidas. E pra mim essa semana foi muito especial!

Na terça-feira, dormi a tarde toda e à noite fui jantar com o Écio Luis na Baronesa de Itú.

Quarta-feira à tarde fui rever meu grande amigo (he he… …olha o tamanho da criança!) Juanito e a D. Tila a quem tenho um enorme carinho… …uma tarde muito agradável com ‘gosto de infância’.

À noite, cinema com o Marcos assistir “Homem de Ferro“. Uaaaauuuu! Que filme! E depois videogame, biscoito japonês, DVD e computador até as 5 da manhã!

Quinta-feira (1 de maio), como estava chovendo muito, já viu: locadora, videogame, biscoito japonês, e mais uma madrugada no computador!!!

Sexta-feira: telefonema do consulado me acorda às 11: “Sr. Rogerio, os seus passaportes já estão prontos e podem ser retirados à partir de segunda-feira”… …ça va! Videogame, DVD (por questões psicológicas não mencionarei mais os biscoitos japoneses)!

À noite, show dos Engenheiros do Hawaii – o Marcos no início do mês havia comprado os ingressos – pra nós a melhor forma que o acaso nos deu pra ‘fechar o boteco’! Muita chuva… …e o show realmente foi nostálgico. Merci meu caro Marcos!!! O resto da noite… …adivinha… …videogame, DVD…

No sábado fui na casa do Miguel e da Roberta… …e depois jantar com o meu pai, Meire, Raphael, Marcela e Pedrinho (faltou o Moacir e a Silvia mas eles estão guardados em bom lugar).

À noitinha fui tomar café na casa do Richard e da Mirela, marquei compromisso inesperado na segunda à noite com o Miguel e com a Roberta, e quando estava saindo pra voltar pra casa, o Marcos liga e então, fui passar minha última noite em São Paulo com mais biscoito japonês e videogame. Às 7 da manhã, tomei um banho, o último café e fui buscar os passaportes!

Passaportes na mão, fui à COTAÇÃO S.A. comprar os dólares em espécie para levarmos. Arrumei as malas e fui conhecer a minha velha amiga Merilyn!!!

Na manhã seguinte estava em Igarapava novamente, confirmando a data e horário do vôo!

A Leila veio pra São Paulo para as suas despedidas e ficamos mais uma semana em Igarapava para nos despedirmos… …enfim, nos despedirmos!!!

 

Sobre amizade: “Amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.”

O Susto!!!

Como esse blog é lido por uma seleta comunidade (mamãe, Richard e Mirela e no máximo mais uma meia-dúzia de cupinchas!), me sinto a vontade em relação ao meu ritmo sórdido de postagens! Ça va!!!

Rapidamente (pois quem gosta de passado é museu) vamos ao susto! Como é um post de informação, qualquer pergunta mais específica, conto pessoalmente (aqui em Montréal, claro!).

Fizemos a consulta – com o Dr. João Leite – e os exames no dia 27 de março. Eu, Leila e Mira tivemos de fazer exames suplementares (Mira por causa de um ’sopro’ no coração que ela tem desde que nasceu). Michel – o bisugão 10 de julho – só ficou na olhadinha mesmo!!! Telefonei na segunda para saber se os exames já haviam sido entregues no consultório (exclusividade do Dr. João, pelo que sei) e nada (ARRRG!). Na terça jantávamos tranquilamente no Frans Café da Baronesa de Itu quando tocou o celular. Era o Dr. João dizendo: “- olha, os exames de sua esposa e de sua filha estão ok, no entanto, na sua chapa do pulmão esquerdo nós temos uns granulos relativamente grandes. Você tem histórico de tuberculose? Fuma? Pneumonia?…” e uma série de perguntas enquanto eu não sentia mais o chão sob meus pés!!! Foi um dos piores momentos de minha vida… …na cabeça, um filme… …de todo sacrifício que fizemos por esse projeto… …e que não havíamos feito um plano B…

Sempre pratiquei esportes, nunca cometi excessos, nunca fiquei doente e por isso NUNCA FIZ EXAMES DE NADA! Me senti um idiota em não ter considerado isso! E quando a gente se sente assim, o que a gente faz? Liga pro Richard e pra Mirela (merci de votre patience!!!), pra mãe (pra marcar a tomografia), vai pra internet pesquisar e volta logo pro colo da Leilinha (merci de votre trééééééés grande patience!!!) pra chorar um pouquinho.

O Dr. João disse que poderia ser um ponto de calcificação, e isso eu sei que é trivial, mas poderia ser algo mais grave (e eu vi coisas realmente graves!!!). A dúvida seria tirada com uma tomografia!!!

Só conto essa história aqui pelo fato de que no Brasil não temos uma vida que nos permita dar atenção a nossa saúde… …espero ter aprendido a lição! Por uma semana só me vinha na cabeça: e se não formos aceitos? Já entregamos apartamento, eu já sai do trabalho… …e agora José?

O Dr. João disse que enviaria os exames mesmo assim e o pessoal de Trinidad-Tobago decidiria se seriam necessários outros exames ou não. Se pedissem mais exames e não fosse nada sério, o processo se estenderia por mais 2 meses (AAAAAARRRRRRRRRRRRGGGGG!!!!).

Poeira assentada… …dane-se o processo! E Leilinha… …e meus filhos (precisamente, minha bela Mira Serena)? Não me preocupou a minha saúde – estamos aqui pra isso! Mas e as pessoas que amo? Senhores, por uma semana foi muito difícil segurar a onda. E é nessas horas que a gente vê de que somos feitos, e de que são feitos nossos amigos e as relações que estabelecemos na vida! E por isso o valor do que vou dizer agora:

A minha vida faz sentido apenas pelo fato de eu ter tido o privilégio, a dádiva de tê-los ao meu lado.Tia Rosa,  Mamãe, Leilinha, Richard, Mirela, Miguel, Roberta, Marcos, Edmar, Luciana, Mira Serena… …merci!

A tomografia não deu nada (perdemos o exame… …merci avózinha da Mi também!). Depois de perderem os exames do Michel (JUSTO O MICHEL) o consulado também não pediu nada, e enfim no dia 28 de abril de 2008 – segunda-feira -, ligaram do consulado nos pedindo os passaportes!

Viajei na segunda-feira mesmo à São Paulo, na terça abri o consulado, e fiquei em São Paulo uma semana me despedindo dos amigos e na segunda-feira seguinte (5 de maio) abri o consulado de novo para pegar os passaportes e os formulários.

ATENÇÃO: verifiquem todos os dados de todos os formulários ANTES de sair do consulado. Qualquer dúvida ou erro, PERGUNTE, MOSTRE… …não deixe passar, pois eles não deixarão passar nada na sua chegada!

Confirmamos as passagens para 22 de maio e voilá!

Próximo post: DESPEDIDA

Próximo post: A SAIDA

Próximo post: A CHEGADA

Próximo…: ‘tá querendo demais’!!!

 

27 de março de 2008
27 de março de 2008

“Pra que chorar, a vida é tão interessante e mágica que ás vezes dorme ao seu lado calada”

(Cazuza)

O começo da viagem!

Quando montamos o nosso Plano de Imigração, percebemos que o melhor caminho não seria nem o mais curto nem o mais confortável. Em tese, nossa viagem começou no dia 2 de dezembro de 2007, quando entreguei na imobiliária a carta de liberação do imóvel. A partir daí, teríamos 30 dias para esvaziar o apartamento e… …nos mudar! Eu explico:

Se os prazos se cumprissem, calculamos ter os vistos no início da primavera (abril, maio…). No entanto, como professor secundário, não seria adequado deixar a escola nessa época – trocar um professor no decorrer do processo é algo que depõe contra a organização de uma escola. Por outro lado, as condições em sala de aula não me traziam nenhuma motivação para iniciar mais uma ano letivo.

Sendo assim, deixei meu trabalho com o fim do ano letivo. No início de dezembro, montamos uma planilha EXCEL com todos os nossos pertences (móveis, aparelhos, eletrodomésticos…) com preços sugeridos (em média BEM abaixo dos preços de mercado). A planilha foi enviada à todos nossos amigos com o título “Família Vende-Tudo”. Nossa intenção era levantar com isso o dinheiro das passagens ao mesmo tempo em que liberávamos o apartamento! O Plano era, eu e as crianças esperarmos os exames na casa de nossos pais – uma chance dos avós conviverem mais tempo com as crianças antes da viagem. Leila permaneceria em São paulo trabalhando até os exames médicos – muito obrigado Tia Ibrantina!

Durante o mês de dezembro vimos nossas coisas sairem vagarosamente de nossa casa, e na verdade, isso não nos incomodou. Só sentimos, já nos últimos dias, quando os móveis do quarto de Mira Serena e Michel foram retirados – é difícil explicar o porque mas… …nós sabemos. Quem conseguir pensar como pai talvez consiga entender!

No dia 23 de dezembro levamos boa parte do que restou (livros e pertences pessoais) para Igarapava, e depois do ano novo, voltamos para limpar e liberar o apartamento das últimas coisas. Balanço final: quase tudo vendido, passagens mais que pagas e… …nosso período “de viagem” já começado!!!

Vou solicitar ao ‘Guinness Book’ o título de viagem de maior duração entre São Paulo e Québec: 5 meses e 22 dias!!!

Em janeiro alguns fatos nos obrigaram a ficar algum tempo mais em São Paulo (post do dia 26 de março) – até recebermos a requisição para os exames no dia 23 de março – 123 dias após a abertura do nosso e-Cas.

O que parecia o quase fim, se tornou um enorme susto. Dedicarei o próximo post à isso. Creio que pode ajudar!!!

À demain… …je vous promet!!!

Aprés L’entrevue…

Sem parar para respirar, allons y!

Pois é, sem parar para respirar saímos por volta de 10 horas do hotel – depois de uma breve comemoração de 20 segundos no elevador – e nos dirigimos da região da Av. Paulista até a Av. Nações Unidas onde temos o Consulado Geral do Canadá, que atende o público até às 11 horas. No complexo do World Trade Center, pagaríamos a segunda taxa na agência do Itaú que fica no térreo do prédio anexo, e entregaríamos o dossiê federal no 16º andar. Chegamos às 11 em ponto (graças ao trânsito ’suuuuper confiável de São Paulo). Enquanto fui correndo pagar a taxa, Leila foi para a recepção. No banco foi super rápido pois a caixa que me atendeu já sabia de cor a conta do consulado. Ao chegar à recepção, percebi na hesitação da recepcionista lá no térreo em nos deixar subir – por causa do horário -, o quanto valeu ter me casado com uma jornalista (aquela moça não sabe o risco que ela correu!). Na recepção ainda tiramos uma foto do comprovante, pois já sabíamos que não nos entregariam nada (acho que é mais neura do que necessidade mas…)!

Ficamos 1 hora na fila com a maior alegria, até que descobrimos que o guichê para imigrantes é o 3º da esquerda para a direita – que está sempre livre e por vezes fechado. É só chegar e alguém te atende.

…dito e feito: bem cordialmente a moça recebeu os documentos, o comprovante, deu um sorriso, disse que o recibo (ou coisa que o valha) seria enviado pelo correio, e: -”Tenha um bom dia!”… …e você (no caso EU e Leila) fica com aquela cara de tonto do tipo: “Só isso?”…

É só isso!

Pegamos a Mira na escola, fomos buscar o Michel, tomamos vinho com nossos amigos Richard, Mirela, Seu José e D. Tereza, e voltamos para casa no que seria a PIOR, mais CRUEL, e IMPIEDOSA parte do processo de imigração: a ETERNA ESPERA PELOS EXAMES MÉDICOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Encerro esse post simplesmente dizendo que ao contrário do que muitos fazem, eu e Leila aumentamos o número de horas por semana de aulas de francês. Hoje, passados 5 meses da entrevista, percebemos que essa foi uma sábia decisão. Estamos muito mais seguros e confiantes de nossa chegada à nossa ‘Nouvelle vie’.

Continuo daqui a pouco e por favor – estou escrevendo sem parar e sem a minha corretora oficial (Leila). Avisem sobre os atentados à gramática seja ela portuguesa ou francesa!!!!

MERCI

Na segunda-feira dia 5 de novembro (a segunda-feira que não existiu pois quem é que estava preocupado com a segunda?), deixamos a pasta de documentos, o fichário do plano de imigração e nossas roupas na mesa da sala – tudo prontinho para a manhã seguinte. Passamos pela 3ª ou 4ª vez aquelas possíveis perguntas já tão manjadas, disponíveis na internet, e por volta das 2 da manhã fomos dormir – e dormir nessa altura é apenas uma força de expressão!!!

Na terça, levantamos às 5: 45h como de costume, arrumamos a Mira Serena e enquanto eu fui levá-la na escola Leila cuidou dos preparativos para o Michel. Por volta de 8 da manhã saímos de casa. Largamos – e isso não é força de expressão – o pequeno Michel na casa dos amigos de sonho Richard e da Mirela, sob a tutela também dos pais da Mirela – Sr. José Maria e Sra. Tereza (merci beaucoup!)

Depois de nos despedirmos do Michel e de todos – na calçada mesmo – entramos no carro por volta de 8:25 h, e durante a manobra de retorno eu pergunto despretensiosamente para Leila:

- “a pasta dos documentos?” e ouço a trágica resposta interrogativa: – “você pegou!”… …a realidade: NÃO, NÃO PEGUEI!!!!!!!!!

Pois é: a entrevista é para averiguar o nível de francês e conferir os documentos, e nós esquecemos a pasta com todos os documentos. Em horário de ‘rush’ voei sobre a Consolação, Angélica, Albuquerque Lins… …corri no quarteirão de casa para não ter que dar a volta (de terno!!!) e voltamos pelo mesmo caminho. Entramos no Hotel às 8:55 h – até hoje é difícil pra mim acreditar!!!

A recepcionista nos pediu para aguardarmos, e quando pensávamos que o equilíbrio já havia se estabelecido, ao pegar o plano de imigração das mãos da Leila, o fichario se abre e todas as folhas se soltam (qualquer dia eu vou fazer uma representação disso). Nos 3 minutos que tínhamos para relaxar, passamos reorganizando o fichário – naquele momento mesmo tudo isso nos pareceu ilário! MAis um motivo para eu ser apaixonado por Leila: rir nas horas em que só dar risada resolve!

A recepcionista nos anunciou pontualmente às 9:00 h. Subimos, e na sala de reuniões encontramos Mme. Anne Degaule (acho que é assim que se escreve) – uma mulher muito simpática e sorridente, ao mesmo tempo que direta. Nos comprimentou cordialmente, e enquanto nos sentávamos nos perguntou se havia algum problema em falarmos em francês, que eu como requerente principal também falaria em inglês, e nos explicou que se não fôssemos aceitos ela explicaria o por quê (era tudo que eu precisava ouvir no início!!).

MAis do que uma descrição, vou levantar os pontos relevantes da entrevista, que nos marcaram ou que podem ser úteis para os próximos entrevistados:

- os documentos do Michel não estavam com ela. Nós os enviamos em julho (óbvio-depois dele nascer!). Mas ela disse que não havia problema, só pediu para ver fotos dele. Mostramos a capa de nosso plano de imigração que montamos a partir de diversas fotos nossas – ela achou muito legal… …a gente também!

- a entrevista, como tantos já relataram, foi um bate-papo dividido em 3 momentos: 1) conferência dos documentos; 2) falar francês e inglês (apenas 5 minutos de inglês), e 3) Plano de imigração, tipo: “Vocês sabem o que vão fazer no Québec? Pra qual cidade? Por quê?”

- enquanto confere os documentos, Mme Degaule conduz uma conversa agradável apenas comigo. Em certo momento me pergunta qual foi o meu ‘memorial’ de mestrado! Falha na minha preparação: nunca tinha falado disso em francês… …comecei a falar sem parar do meu trabalho e até traduzi o título – se isso lhe parece trivial, escrevo aqui o título em português:

Estudo da construção de vacúolos parasitóforos de Coxiella burnetii e Salmonella typhimurium em células VERO duplamente infectadas… …tenho dificuldades em traduzir isso hoje… …mas na hora “foi-que-foi!!!”

- Ela – Mme. Degaule – começou então a falar com Leila. Documentos e bate-papo, e na minha hesitação em complementar algo, ela só levantava o indicador em minha direção insinuando algo do tipo: “você não”! Ela comentou diante da dificuldade de Leila se expressar em francês em alguns instantes, que é realmente difícil estudar francês, enquanto é preciso trabalhar e cuidar de um bebê pequeno!

- No inglês, foi tranqüilo, tirando o fato de que no início eu começava a frase em inglês e terminava em francês… …todos demos boas risadas disso!!!

- Diretamente ela perguntou sobre o mercado de trabalho, e quais as minhas possibilidades de encontrar trabalho. Respondi ‘na lata’ e mostrei o capítulo do nosso plano que continha informações estatísticas do governo sobre a minha área. Ela então perguntou se eu tinha os pré-requisitos necessários para minha área, e mais uma vez mostrei uma página do governo descrevendo tais requisitos – eu havia grifado em verde os que eu já tinha, e em vermelho os que eu não tinha. Isso a impressionou positivamente.

- pontualmente às 9h 43′23” no meu relógio, ‘do nada’ ela levanta a cabeça e diz “Vous avez été accepté!” Abaixou a cabeça e continuou a digitar. Eu… …levei uns 5 segundos para voltar a respirar enquanto pensava: “- péra aí… …’avez été’ é passado: foram… …’vous’, somos eu e Leila… …’accepté’ não deve ser um ‘falso cognato’… …será que foi isso mesmo… …é mancada se eu pedir para ela repetir???… …5 segundos e percebi o sorriso de Leila (estou ficando muito emotivo com a idade!!!).

Apenas sorrimos e eu me lembrei do filme ‘Em Busca Da Felicidade’… …aquele foi o nosso momento!

Enquanto ela imprimia os CSQ’s falei sobre o filme, ela disse que nos éramos candidatos muito bons, demos risada da impressora que havia dado defeito no dia seguinte (eu disse que depois das entrevistas de agosto – quando o pessoal ficou esperando o CSQ pelo correio por causa da impressora – havia combinado com o Richard que em caso de pane, teríamos duas outras impressoras em 10 minutos lá). Pegamos o CSQ!,ela nos explicou o procedimento, nos despedimos cordialmente e… …CORRERIA! Começava a terceira fase do processo de imigração: ir da Paulista até a Nações Unidas em 40 minutos para entregar o dossiê federal!

Esse post já está longo! Vamos para o próximo!!!

Chega!!! Quero escrever sobre o presente! Já cansei dessa síndrome de Forest Gump… … …

Nossa trajetória oficial começou em 6 de junho de 2007, e vou aproveitar os próximos 30 minutos para contar o que ocorreu desde o envio do dossiê à Buenos Aires até o dia dos exames médicos em 27 de março de 2008 (296 dias ao todo). Vamos lá:

Pra começar bem nosso dossiê levou quase 20 dias para chegar lá (definitivamente NÃO CONFIE NOS CORREIOS BRASILEIROS!!!). O consulado me comunicou o recebimento do envelope no mesmo dia em que os correios me pediram 30 dias para localizarem os documentos. Feito isso, nos concentramos na chegada do petit Michel Albert, que acontecia em julho durante minhas férias.

No dia 10 de julho nosso filho chegou e pela primeira vez (e acho que única) eu pude acompanhar o parto… …senhores pais não deixem de fazer isso ao menos uma vez! Um dia tento falar a respeito… …ainda não tenho como… …meus filhos são… …bem… …vamos lá!

No fim de julho recebemos um e-mail do escritório em Buenos Aires nos pedindo nossos comprovantes do ‘deuxième cicle’ – que eu pensei que se tratasse do histórico do ensino médio. Pedi segunda via… mandei segunda via… …

No início de agosto, já de volta ao trabalho, recebi uma ligação de minha esposa momentos antes de uma reunião dizendo resumidamente isso: “Rogerio, ligaram de Buenos Aires, não sei como mas um pouco em francês, um pouco em espanhol entendi que estavam te procurando!”… …Toca então aquele ‘bipezinho’ de segunda chamada no celular… …penso eu: ‘Tabarnac!…

Deixei a chefe falando sozinha e me dirigi a um lugar quieto… …só me lembro do ‘Bonjour monsier Rogerio’… …não me atrevo a redigir o diálogo poi na verdade não me lembro, mas juro que conversamos em francês (ainda não sei como, mas foi!!!). Ela me explicou que ‘deuxième cicle’ seria o histórico do mestrado e não do ’secondaire’. Quando disse que providenciaria, ela imendou: “Não há necessidade de me enviar. O senhor pode levar diretamente em sua entrevista que será em novembro!” Espero que ninguém esteja curioso sobre o tema de minha reunião após esse telefonema, pois não me lembro de mais nada naquele dia!!!

AVANT L’ENTREVUE

Entre esse telefonema e a entrevista nossa vida foi 1) estudar francês, e 2) montar o plano de imigração. Vale dizer que na entrevista, ter feito o plano foi tão importante quanto ter estudado francês (NÃO É UMA DICA, É UMA NECESSIDADE, na nossa opinião)!!! Fica o registro cômico de que nossa casa nunca ficou tão de cabeça pra baixo quanto nesse período. E o nosso foco foi tão intenso que jamais me esquecerei de minha filha certo dia, pegar uma caneta e um papel e dizer: “Papai, eu vou escrever uma carta pro moço do Canadá!” Na cabeça dela era isso que ela nos via fazendo todas as noites!!! NAda tão certo quanto o ditado que diz que os filhos se adaptam aos pais!

No mês de Outubro, preparamos toda a parte do dossiê federal, pois queríamos dar entrada no mesmo dia! Senhores, levamos mais ou menos um ano para decidirmos ir, mas uma vez decidido não havia tempo a perder – não estamos indo para uma temporada ou para uma ‘corrida do ouro’, é uma vida nova e isso é coisa séria!

Para a nossa preparação foi fundamental termos estudado na École-Québec, tanto pelo francês QUEBECOIS que faz parte de nossas aulas, quanto pela experiência das pessoas que nos orientaram no processo (Catherine, Valerie, Jean Nicolas – merci beaucoup)! As aulas individuais de preparação e as horas a mais fizeram MUUUITO a diferença!

Obsevação importante: A École-Québec e a excelência de seus professores não está ligada nem de longe com os erros ortográficos em francês, português, javanês ou qualquer outra língua que a minha ignorância evocar. Tais erros são de minha inteira responsabilidade (pressa associada a fatores outros como falta de estudo, preguiça e “capatostice” mesmo)!!!

Não deu tempo de estudar tudo o que queríamos, nem tampouco terminar o plano da forma como havíamos imaginado. Nossa entrevista seria na terça 6 de novembro, e no final de semana anterior (feriado), aproveitamos o casamento de um primo no Rio de Janeiro para relaxar… …não foi fácil mas conseguimos!

No próximo post a nossa entrevista (capítulo tragicômico)!!!

“É o mesmo sol que derrete a cera e seca a argila.”
Antoine de Saint-Exupéry

(aos amigos Richard e Mirela)

E lá se foi mais uma vez a intenção de ser um ‘escritor’ regular… …mudança radical de planos, distância da internet e não pude atualizar o blog da forma que havia planejado. Rápido resumo:

No dia 22 de janeiro eu, Mira Serena e Michel Albert voltamos à São Paulo para o meu último compromisso de trabalho e para matarmos a saudade imensa de Leila. Quando fomos surpreendidos pela internação da tia Ibrantina (tia-avó de Leila hospedava gentilmente Leila durante nossa espera dos documentos para fazermos os exames). Três dias depois tia Ibrantina veio a falecer e eu e as crianças acabamos ficando em São Paulo para que Leila não ficasse sozinha… …até hoje, quando finalmente recebemos a requisição para os exames (mais precisamente ontem dia 23 de março – 123 dias após a abertura do nosso e-cas).

Por hora, interrompo a sequência inicial dos posts para registrar que tia Ibrantina desde o início muito nos incentivou em nosso projeto de imigração, e muito nos ajudou nesses anos em que estivemos mais próximos.

…sempre na memória e no coração!

“A morte é o acaso que parte o vaso… …a perda dos olhos… …a sorte certa, a cura incerta da vida!!!”

Ehhh… …assisti ao último ‘websode’ do ‘J’adopte un pays’ e… …que vontade de estar lá!!!
Por um acaso do destino não conheci pessoalmente o Patrick e Valéria, mas muito nos ajudou acompanhar a saga inicial dos dois! Obrigado e de todo coração: bonne chance!Vamos agora à nossa saga inicial após a decisão.
Decisão tomada, arrume as malas…!!! Não é bem assim! Eu tomei a decisão com o apoio de Leila, mas “nós” não havíamos decidido nada ainda. Não se tratava de começarmos nossa vida em outro lugar… …estávamos casados havia cinco anos e tínhamos um bebê de 9 meses, uma vida conturbada, pouco dinheiro guardado e nenhuma segurança para o futuro. Pensamos muito em qual seria o preço dessa decisão. Não temíamos por nós, mas o bebê…
O ano de 2005 terminou, e eu simplesmente acompanhei a preparação do Erasmo e Elaine… …a vantagem de possuir um coração honesto e leal fez com que eu saboreasse cada documento a mais do dossiê dele e de Elaine, sem no entanto poder iniciar o meu, de Leila e de Mira Serena. No dia em que ele entregou o dossiê – Aliança francesa – centro de São Paulo –, lá estava eu, ouvindo o representante do governo canadense dizer que para imigrar eram necessários quatro requisitos: 1) Idade (até 35 – ops… …eu não tinha muito tempo!); 2) experiência profissional; 3) dinheiro para o processo e para se manter lá por três meses; e 4) querer aprender o francês. Eu tinha os dois primeiros itens… …em todos os sonhos de minha vida saí atrás, por que agora seria diferente? Eu me dei um ano para adquirir os dois últimos.

O ano de 2006 foi um ano que não nos trouxe muitas lembranças boas no âmbito pessoal. A perda de meu padrasto – que sempre me teve e terá como filho –, o início da luta pessoal do pai de Leila – vencida a cada dia até hoje… …nos desestabilizaram muito, mas eu nunca deixei de paralelamente a isso tudo seguir adiante com a idéia de imigrar para o Québec. Sempre acompanhando as conquistas do Erasmo e de Elaine (desculpe ser repetitivo mas foi assim mesmo!).

As dificuldades fizeram com que eu e Leila deixássemos de planejar juntos mas, senhores, diante de todas as dificuldades que tivemos até hoje, o AMOR que temos um pelo outro sempre esteve à frente do que fosse!

Leilinha, nunca fui bom o suficiente para ser grande em coisa alguma, mas o seu amor faz de mim um gigante!

…resultado: em novembro de 2006 enfim, veio o fato que redimiu todos os desencontros do ano. Leila chegou em casa perguntando se um teste de gravidez barato poderia dar um resultado falso. Dez minutos depois eu estava em casa co o teste mais caro que encontrei na farmácia e… …nosso segundo bebê estava à caminho (a gente vai vivendo e vai ficando besta: é a terceira vez nesse ‘post’ que meus olhos se enchem de lágrimas). Como na primeira vez, ficamos muito, muito, muito felizes ao mesmo tempo em que ponderarmos as dificuldades… …e uma das primeiras perguntas foi: e agora? E o Canadá? Nem exitei: “Agora é que precisamos ir mesmo!” E esse foi exatamente o ponto em que tudo se materializou! A segunda gravidez de Leila foi o divisor de águas em que a decisão, que já era uma intenção, se tornou ações práticas.

Em fevereiro de 2007 tínhamos o dinheiro do processo e dos três meses, eu que já estudava francês sozinho desde 2006 entrei em um curso ‘de verdade’ e nossa documentação estava quase concluida.

Nos despedimos do Erasmo e da Elaine afirmando que nos encontraríamos novamente em solo canadence… …falta pouco pra cumprirmos – não vemos a hora!!!

Graças à Polícia Federal tivemos de esperar quase 60 dias pelos passaportes, o que nos atrasou para o envio da documentação para o Escritório de Imigração em Buenos Aires.

Mas no dia 6 de junho de 2007, lá estávamos, com roupa de missa no correio agência Santa Cecília. Aí se abria uma outra etapa no nosso sonho! Eu e Leila nos olhamos daí pra frente com uma única certeza em nossas vidas (além do nosso amor): “Éh, nós vamos pro Quebec!!!”

Para encerrar este ‘post’, troco o pensamento de alguém por uma ponderação pessoal:

“Nunca temos certeza do que virá, e ás vezes temos coragem de ir além do que nos é oferecido… …mas sempre teremos os que duvidam”.

A Decisão

“Nada sucede ao homem que sua natureza não
esteja preparada para suportar”

Conheci Leila em 12 de novembro de 1998. Começamos a namorar em 28 de novembro e eu a pedi em casamento em 3 de dezembro do mesmo ano… …e ela aceitou! E começo por aqui para concluir que NUNCA nos passou construir uma vida fora do Brasil. Nos casamos e quatro anos depois tivemos nosso primeiro filho. Nesse meio tempo iniciamos nossas carreiras – eu como professor e Leila como jornalista. Sempre com o objetivo de DE ALGUMA FORMA FAZER ALGUMA DIFERENÇA na vida de outras pessoas… …lutar para ajudar a construir um país que valesse a pena!

Com a maior sinceridade do meu coração, vivíamos, trabalhávamos dia-a-dia com esse propósito, e por isso sempre fomos rotulados de idealistas utópicos e outras denominações que sugerem irresponsabilidade ou falta de noção das coisas!!!

Por volta de abril de 2005 estávamos cansados! Tínhamos uma boa vida e uma filha de seis meses. Eu, um emprego estável e não posso me queixar de dinheiro, mas nenhuma chance de fazer algo socialmente relevante. Leila desapontada profissionalmente pelo mesmo motivo… …a nossa volta uma sociedade que precisava mudar, formada por pessoas que não querrem mudar, guiadas por líderes que não querem que as coisas mudem, todos norteados por uma imprensa burra e conveniente e uma justiça cega, corrupta e inútil! Tínhamos uma boa vida mas estávamos cansados… …ver o que está errado e não poder mudar e não poder mostrar o erro e ser ridicularizado por buscar o certo… …definitivamente cansados.

Em um sábado recebemos a visita da prima de Leila Mariana Rodovalho e seu namorado Gustavo para o jantar. O assunto de viver for a do Brasil veio à tona à toa… …quando ao citarmos Austrália, Nova Zelândia (países que eu já sabia serem abertos à imigração), Gustavo perguntou: “- e o Canadá?” Eu não soube o que responder. Na hora ele me conduziu até a internet e abriu uns sites em que as oportunidades canadenses eram mostradas!!! Na hora eu me enchi de coragem e Leila disse: “- se você quer, nós vamos!” Pra mim a decisão foi tomada aí!!!

Na segunda-feira seguinte, encontrei com meu irmãozinho de trabalho Erasmo e disse isso a ele. Ele virou e disse algo como: “Cara, eu topo!”
Daí pra frente, Erasmo e Elaine contam a trajetória deles (appuyer ici) e eu a nossa em outro post!

Erasmo – dezembro de 2005 (antes do CSQ) e…Erasmo - antes do CSQ (dezembro de 2005) e…

…depois do visto definitivo (dezembro 2006). …depois do visto definitivo (dezembro de 2006).
À plus!!!

« Articles plus récents - Messages Plus Anciens »