Na segunda-feira dia 5 de novembro (a segunda-feira que não existiu pois quem é que estava preocupado com a segunda?), deixamos a pasta de documentos, o fichário do plano de imigração e nossas roupas na mesa da sala – tudo prontinho para a manhã seguinte. Passamos pela 3ª ou 4ª vez aquelas possíveis perguntas já tão manjadas, disponíveis na internet, e por volta das 2 da manhã fomos dormir – e dormir nessa altura é apenas uma força de expressão!!!
Na terça, levantamos às 5: 45h como de costume, arrumamos a Mira Serena e enquanto eu fui levá-la na escola Leila cuidou dos preparativos para o Michel. Por volta de 8 da manhã saímos de casa. Largamos – e isso não é força de expressão – o pequeno Michel na casa dos amigos de sonho Richard e da Mirela, sob a tutela também dos pais da Mirela – Sr. José Maria e Sra. Tereza (merci beaucoup!)
Depois de nos despedirmos do Michel e de todos – na calçada mesmo – entramos no carro por volta de 8:25 h, e durante a manobra de retorno eu pergunto despretensiosamente para Leila:
- “a pasta dos documentos?” e ouço a trágica resposta interrogativa: – “você pegou!”… …a realidade: NÃO, NÃO PEGUEI!!!!!!!!!
Pois é: a entrevista é para averiguar o nível de francês e conferir os documentos, e nós esquecemos a pasta com todos os documentos. Em horário de ‘rush’ voei sobre a Consolação, Angélica, Albuquerque Lins… …corri no quarteirão de casa para não ter que dar a volta (de terno!!!) e voltamos pelo mesmo caminho. Entramos no Hotel às 8:55 h – até hoje é difícil pra mim acreditar!!!
A recepcionista nos pediu para aguardarmos, e quando pensávamos que o equilíbrio já havia se estabelecido, ao pegar o plano de imigração das mãos da Leila, o fichario se abre e todas as folhas se soltam (qualquer dia eu vou fazer uma representação disso). Nos 3 minutos que tínhamos para relaxar, passamos reorganizando o fichário – naquele momento mesmo tudo isso nos pareceu ilário! MAis um motivo para eu ser apaixonado por Leila: rir nas horas em que só dar risada resolve!
A recepcionista nos anunciou pontualmente às 9:00 h. Subimos, e na sala de reuniões encontramos Mme. Anne Degaule (acho que é assim que se escreve) – uma mulher muito simpática e sorridente, ao mesmo tempo que direta. Nos comprimentou cordialmente, e enquanto nos sentávamos nos perguntou se havia algum problema em falarmos em francês, que eu como requerente principal também falaria em inglês, e nos explicou que se não fôssemos aceitos ela explicaria o por quê (era tudo que eu precisava ouvir no início!!).
MAis do que uma descrição, vou levantar os pontos relevantes da entrevista, que nos marcaram ou que podem ser úteis para os próximos entrevistados:
- os documentos do Michel não estavam com ela. Nós os enviamos em julho (óbvio-depois dele nascer!). Mas ela disse que não havia problema, só pediu para ver fotos dele. Mostramos a capa de nosso plano de imigração que montamos a partir de diversas fotos nossas – ela achou muito legal… …a gente também!
- a entrevista, como tantos já relataram, foi um bate-papo dividido em 3 momentos: 1) conferência dos documentos; 2) falar francês e inglês (apenas 5 minutos de inglês), e 3) Plano de imigração, tipo: “Vocês sabem o que vão fazer no Québec? Pra qual cidade? Por quê?”
- enquanto confere os documentos, Mme Degaule conduz uma conversa agradável apenas comigo. Em certo momento me pergunta qual foi o meu ‘memorial’ de mestrado! Falha na minha preparação: nunca tinha falado disso em francês… …comecei a falar sem parar do meu trabalho e até traduzi o título – se isso lhe parece trivial, escrevo aqui o título em português:
Estudo da construção de vacúolos parasitóforos de Coxiella burnetii e Salmonella typhimurium em células VERO duplamente infectadas… …tenho dificuldades em traduzir isso hoje… …mas na hora “foi-que-foi!!!”
- Ela – Mme. Degaule – começou então a falar com Leila. Documentos e bate-papo, e na minha hesitação em complementar algo, ela só levantava o indicador em minha direção insinuando algo do tipo: “você não”! Ela comentou diante da dificuldade de Leila se expressar em francês em alguns instantes, que é realmente difícil estudar francês, enquanto é preciso trabalhar e cuidar de um bebê pequeno!
- No inglês, foi tranqüilo, tirando o fato de que no início eu começava a frase em inglês e terminava em francês… …todos demos boas risadas disso!!!
- Diretamente ela perguntou sobre o mercado de trabalho, e quais as minhas possibilidades de encontrar trabalho. Respondi ‘na lata’ e mostrei o capítulo do nosso plano que continha informações estatísticas do governo sobre a minha área. Ela então perguntou se eu tinha os pré-requisitos necessários para minha área, e mais uma vez mostrei uma página do governo descrevendo tais requisitos – eu havia grifado em verde os que eu já tinha, e em vermelho os que eu não tinha. Isso a impressionou positivamente.
- pontualmente às 9h 43′23” no meu relógio, ‘do nada’ ela levanta a cabeça e diz “Vous avez été accepté!” Abaixou a cabeça e continuou a digitar. Eu… …levei uns 5 segundos para voltar a respirar enquanto pensava: “- péra aí… …’avez été’ é passado: foram… …’vous’, somos eu e Leila… …’accepté’ não deve ser um ‘falso cognato’… …será que foi isso mesmo… …é mancada se eu pedir para ela repetir???… …5 segundos e percebi o sorriso de Leila (estou ficando muito emotivo com a idade!!!).
Apenas sorrimos e eu me lembrei do filme ‘Em Busca Da Felicidade’… …aquele foi o nosso momento!
Enquanto ela imprimia os CSQ’s falei sobre o filme, ela disse que nos éramos candidatos muito bons, demos risada da impressora que havia dado defeito no dia seguinte (eu disse que depois das entrevistas de agosto – quando o pessoal ficou esperando o CSQ pelo correio por causa da impressora – havia combinado com o Richard que em caso de pane, teríamos duas outras impressoras em 10 minutos lá). Pegamos o CSQ!,ela nos explicou o procedimento, nos despedimos cordialmente e… …CORRERIA! Começava a terceira fase do processo de imigração: ir da Paulista até a Nações Unidas em 40 minutos para entregar o dossiê federal!
Esse post já está longo! Vamos para o próximo!!!