Meu caro senhor,
gostaria de abrir mão do tratamento formal, mas velhos hábitos por vezes passam a fazer parte da alma… …entendamos isso não como distanciamento mas como respeito e admiração – moedas não muito trocadas hoje em dia. Peço desculpas pelo veículo dessa mensagem – uma carta -, pois farei pequenas confissões à você, que de fato, deveriam ser ditas em pessoa, mas imaginei que ao escrevê-las em momento oportuno, poderia registrar aquilo que o tempo apagaria da memória.
Por todos os anos de minha vida procurei sentir o calor que não me pertencia de fato, para me manter vivo… …dessa vida que a morte é velha amiga e cúmplice… …o calor de pai que não tive por perto, o calor de família, pois pelas circunstâncias da vida, a família que tive, precocemente se fez distante – nunca do coração, mas a uma distância que impedia o contato, o abraço… …o calor. Agi meio como um vampiro, mas ao contrário dessas criaturas que destroem a fonte, alimentei essas chamas com o que tinha de melhor, em parte para me mostrar merecedor, em parte para dizer “-obrigado por permitir que eu permaneça mais algum tempo aqui!”
Não é fácil escrever isso! Palavras podem ferir… …e geralmente o fazem quando retratam as verdades que a vida nos impõe, mas espero que, como eu, aqueles que lêem essas linhas, entendam que somos feitos na mesma medida, daquilo que tivemos e daquilo que nos faltou. Deveríamos aprender a agradecer igualmente as duas coisas! E nesse sentido, lhe escrevo para agradecer-lhe, nem tanto pelas coisas que você fez por mim, mas pelas escolhas que você fez na vida – escolhas que no fim das contas, mudaram minha vida… …minha existência para sempre!!!
Desde o primeiro instante em que nos conhecemos, eu quis mostrar que estava a altura de seus valores, talvez por isso o tratamento formal que se solidificou nesses últimos 9 anos e 10 meses de nossas vidas. Quis mostrar-lhe disposição para o trabalho, bom caráter, senso de justiça, coragem, humildade… …bem o tipo de coisa que um filho tenta mostrar para um pai para dizer “olha, eu cresci e sou um homem digno…”, enquanto espera um afago e um sorriso como resposta! Em alguns momentos, tive a impressão de ter conseguido lhe mostrar isso… …apenas a impressão… …ambos cultivamos o silêncio, o que dificulta que as intenções se mostrem… …mas tive essa impressão!
Temos muito pouco em comum nas coisas que as pessoas vêem: nunca fumei, não bebo, não gosto de pescar, meus conhecimentos de engenharia se limitam a construir aviõezinhos de papel, e de engenharia elétrica então, não vou muito além de saber que as tomadas dão choque. Não conheço a região de Igarapava, passei minha vida toda longe do campo, e definitivamente, não entendo nada de churrasco! Imagino que não sou bem o genro que você chegou a desejar para sua filha (e digo pensou, pois hoje como pai de uma menininha linda, eu bem sei que é impossível sonhar com algo do gênero!!!), mas de alguma forma eu deveria compensar isso… …me restavam as coisas que num primeiro momento as pessoas não vêem – geralmente as coisas relacionadas ao caráter, e aí sim encontrei coisas que temos em comum e investi muito em tentar trazê-las à tona para conquistar o seu respeito!
Conquistar o seu respeito mostrando compromisso: a decisão de eu e Leila ficarmos noivos 1 ano após o início do namoro e na mesma leva marcar a data do casamento. Talvez seja a primeira vez que menciono isso: o motivador dessa decisão foi o fato de que no final daquele ano – 1999 – eu terminaria meus estudos e iria pra São Paulo começar minha carreira… …um homem de 28 anos que namora no interior uma mulher de 19 e vai pra uma grande cidade começar a vida para depois se casar… …parece um pouco aquelas histórias de caixeiro viajante… …eu precisava – na verdade eu queria – mostrar compromisso. Me lembro que eu e Leila, na volta de Ribeirão dentro do monza do tio Écio pedimos uma opinião pro tio Écio e pra tia Edite. Memórias que ficam e são muito boas!
Eu precisava… …eu queria – mostrar coragem, e no almoço do domingo, “pedi a mão da Leila em casamento” (mais uma moeda não muito trocada hoje em dia)! Decidimos nos casar na pequena igreja em Aramina – queria mostrar reverência à história de sua família (história que é muito importante pra Leila e será pros nossos filhos lhe garanto!). E da mema forma reverência ao seu sobrenome, que eu não porto, mas meus filhos carregam como último nome – a forma que eu achei de lhe dizer que a sua linhagem, levará o sobrenome de sua família adiante!
São pequenas coisas eu sei, que de modo prático não servem muito pra coisa alguma, mas foi a maneira que encontrei de tentar me aproximar de você pelas suas virtudes, e mostrar que se não sou o genro de seus pensamentos, sou um homem que conhece o valor dessas virtudes, e que no futuro deseja ser reconhecido por elas da mesma forma que você é reconhecido hoje, por suas filhas, sua esposa, seus amigos, seus irmãos e irmãs e todos aqueles que de alguma forma convivem com você.
As viagens são longas, e seguiremos agora cada um seu próprio caminho… …agora, em lados opostos da vida que conhecemos. Mas a sua imagem, sua palavra, sua presença ficam! Ficam na correnteza do rio, na beleza do horizonte, nos olhos de Leila, nas mãos de Mira Serena, na palidez do pequeno Michel Albert e na reverência singela e constante que faço pela memória do que você é, e sempre será.
Tenho muito orgulho de ter tirado a foto que encerra essa carta… …ela eternizou um momento que não é possível descrever em palavras… …a dualidade que a matemática nega: você segue seu caminho, ao passo que o que você é fica conosco.
Tomando um último sopro desse calor que, de fato, não me pertence, deixo-lhe um beijo e um abraço de filho… …e a certeza de levá-lo sempre conosco como exemplo, como história e referência!
Um beijo ao grande… …do pequeno que fica… …e continua!
Aos Bravos
os braços…
…num abraço que não tem nome, idade ou piedade!

É reconfortante perceber que há pessoas como você no mundo. Gestos assim ocorrendo com frequência, deixariam o mundo ainda mais interessante.
Que Deus abençoe a tua vida e que a Paz que somente ele pode dar alcançe a tua família.
abraços
Professor,
Não sei se você lembra de mim, fui aluno seu no Ofélia Fonseca durante todo o primeiro e o segundo colegial. Há alguns dias eu lembrei que teve uma época que você sempre falava: “Autonomia senhores. Autonomia é a palavra”. Na época eu não sabia bem o que isso significava e até brincava. Estou num período de muitos estudos e muitas restrições (tentativa de entrar na universidade que eu quero) e acho que esse ensinamento nunca veio tanto a calhar. Sempre que lembro de algumas coisas que alguns professores me falavam e que não dei valor, me arrependo. Acho que tive os melhores professores – não só professores, mas também pessoas – na minha formação. Queria agradecer por isso. Torço muito por você e acompanho tanto o seu blog quanto o do Erasmo, é estimulante ver as pessoas lutando pelos seus sonhos, díficil hoje em dia… Parabéns por tudo e lhe desejo, sinceramente, muito sucesso e felicidade na sua vida.
Abraços,
Carlos
“Por que esperar se podemos começar tudo de novo
Agora mesmo …”
Porra Nicola… …te esquecer… …nem na próxima geração!!! Bom saber notícias suas e sem dúvida, boas notícias. Depois do último post não tenho entrado muito aqui, mas tenho falado com o pessoal no orkut. Não deixe de mandar notícias!!!
Abraço
Puxa, simplesmente tocante. Uma demonstracao de amor como esta nao se “LE” todos os dias!
Parabens!
Denise Coelho