É difícil mas também desafiador, estar em um ambiente em que você não compreende o que dizem, e também não é compreendido! É muito enriquecedor se sentir no jardim de infância aos 36!
VIDA COTIDIANA
Atravessar a rua é uma experiência extraordinária! A preferência é do pedestre – todo mundo sabe e respeita isso! Existem os motoristas que avançam na faixa… …olhe feio, ou reclame com educação (mas com firmeza!), e o cara se desculpa! É, ele não te xinga, nem discute… …se desculpa ou abaixa a cabeça!
Andar de ônibus é uma outra experiência extraordinária! Nós compramos o passe mensal (CAD 65,00). O ônibus pára – sem pressa – as pessoas descem, sem pressa, você mostra o passe, e entra geralmente (eu disse geralmente!) com um ‘bonjour’ . Você pega quantos ônibus e quantos metrôs quiser no mês. Se quiser fica o dia inteiro passando pela catraca… …ça va! Não vou discutir política nem economia aqui, mas isso, do ponto de vista da lógica, É JUSTO!
Os horários previstos para os ônibus e metrô são muito próximos da exatidão – você pode se programar e voilá! Funciona!!! Os horários estão disponíveis no site da STM, ou em folhetos distribuidos gratuitamente nos ônibus ou nas estações de metrô… …os horários do “verão”, por exemplo! Quer brincar? Entra lá no site da STM e busque o link ‘Tous Azimuts’ – ‘recherche textuel’ e em seguida ‘Recherche d’une adresse sur l’île de Montréal‘. Digite o endereço de partida e repita o procedimento para inserir o destino. Clique em ‘calculer’. Dê o horário de partida ou de chegada e voilá!
As pessoas na rua tendem a serem gentis, te comprimentam, mas é só! Ninguém está nem aí pro seu jeito de vestir, falar… …na verdade ninguém te olha! Andar de ônibus carregando uma sacola de garrafas de refrigerante vazias, ou com um monitor de 20 polegadas, dá na mesma – ninguém te olha e ponto!!!
O verão aqui é quente pra caramba!!!
Todo mundo fica babando quando vê uma criança – dá-lhe Mira e Michel!!!
As mulheres aqui é que mandam, e decidem e… …vão pra cima mesmo: dirigem os coletivos, tratores, comandam companias e empinam o nariz e vão embora! E por isso, creio eu, os homens são meio “boca-aberta”. Aqui a mulher usa o nome de solteira, assina o contrato de aluguel… …eu não decido nada legalmente sem a anuência da Leila… …éééé… …é fogo! Você é do tipo machista? Melhor imigrar pro Paquistão!!!
As casas e os prédios, parecem ter sido feitas como se a cidade fosse um condomínio fechado: são todas ‘iguais’… …ao mesmo por fora! Olhar para as casas e prédios e NÃO ver grades com flechas, muros com cacos de vidro em cima ou cercas eletrificadas… …dá vontade chorar (até hoje)! Os quintais ficam abertos, os brinquedos das crianças ficam por lá, e ninguém mexe! Janelas na altura do chão, sem grades!
Andar na rua: iniciar um processo de imigração, aprender um novo idioma, vender tudo o que tínhamos, desmontar nossa vida e nossa segurança, levar a família para um lugar que você nunca esteve antes… …pessoalmente eu digo que já valeu a pena ter feito tudo isso, pelo simples fato de saber que posso andar na rua com meus filhos sem a MENOR possibilidade de alguém me “derranger”, ou me fazer algum mal! Não estamos no paraíso… …hoje mesmo ficamos sabendo da primeira ocorrência policial, que culminou com a morte de alguém… …um típico caso que no meu entender, me faz sentir mais seguro do que nunca (link com a notícia). Viver em tranquilidade, sem medo… …isso não tem preço!
Dois meses depois, ainda estamos assimilando essas diferenças, mas há duas semanas mais ou menos, uma amiga nos perguntou: -”Tirando a saudade da família, o que vocês mais sentem falta do Brasil?” Pensamos muito, e alguns dias depois respondemos: “NADA!”
LE LOGEMENT
Há seis meses impomos à nossa filha uma perda de referência (Michel ainda não conta!)… …onde é a minha casa? Onde estão as minhas coisas? Mira Serena é muito especial e sempre se mostrou muito receptiva às mudanças, mas sabemos que não é bem assim que as coisas funcionam: pode ser na cabeça, mas não no coração! Então desde a primeira semana, saímos à rua… …SOZINHOS e sem falar francês… …há há há, só se eu estivesse a fim de mentir (como outros já fizeram em seus relatos de colonização nas terras geladas… …sem detalhes!).

Nem sozinhos e nem sem falar francês. Além do apoio da família Santos, encontramos o “Guardião” (também conhecido por tio Nino, “Michiê” ou “Petit Robert” entre outras denominações mais íntimas – coisa do Erasmo!). Monsieur Mohamed brindou um – até então – nada ilustre desconhecido, com aquele tipo de atenção de um professor que ensina pelo ‘dom’ aquele aluno que você acha que vale a pena investir tempo (conheço bem isso!). “Cara, você tem que chegar ‘assim’, falar ‘assim’, ‘assim’… …amanhã se você quiser posso te acompanhar a tal hora… …olha como eu vou falar!… … …agora vai você. Sem medo!”
Bem, no dia 4 de junho – exatamente 6 meses depois de ter entregue as chaves de nosso apartamento em São Paulo (4 de janeiro), e depois de umas duas dezenas de visitas decepcionantes -, assinamos o ‘bail’ de um apartamento que hoje chamamos de lar e temos muito orgulho dele e de nossa vida nele. Não nos foi pedido nenhuma garantia: conversamos, pagamos adiantado e assinamos com os passaportes e o NAS.
Não foi fácil, mas nunca é fácil aprender! E sinceramente, me irrita ver imigrantes aqui em Montréal que chegam e começam a reclamar das dificuldades que encontramos aqui: o idioma, a desconfiança de algumas pessoas, a própria diversidade cultural da cidade… …ninguém me pegou à força pra vir, eu obtive todas as informações que busquei, e vim por que quis… …pra recomeçar quase do zero! Se quer moleza e jeitinho brasileiro, por favor FIQUE AÍ! A gente agradece!!!
Eu e Leila passamos por esse processo juntos e somos muito, muito, muito gratos aos Cavaleiros dos novos ventos (Elaine, Erasmo, Fabrícia e Mohamed) que nos pegaram pela mão, nos mostraram o que fazer e disseram: -”agora vai!” E na volta nos perguntaram: – “e aí? Como foi?”
Não nos pediram nada em troca, e nos ofereceram sem que pedíssemos… …merci do fundo do coração… …mais do que pra nós, vocês fizeram pelos nossos filhos, e isso não preço pra nós! Espero estar a altura e um dia poder retribuir! “Merci” do fundo do coração. Vocês são parte da nossa história… …isso não muda muito pra vocês mas faz toda diferença pra nós!!!
Móveis novos – os mais baratos (exceto para o quarto das crianças) mas muito lindos! Electroménagers usagés – olha os chevaliers encore! Peregrinações para transformar uma casa em um LAR… …no dia 14 de junho entramos no apartamento, nosso apartamento… …ainda sinto o gosto!
OS PARQUES
Haaa… …um post a parte. À la prochaine!
“O Passageiro é quem escolhe o caminho, mas sabe que não é ele quem conduz! Ele tem a coragem da escolha e a tristeza da dúvida.”









q bom ve-los tao felizes!tudo de bom sempre!abçs