Éh, até o espírito parece que não é o mesmo!
A partir do momento em que entramos no corredor do portão de embarque, já não tínhamos mais o mundo que conhecíamos: tudo era novo… …mas a bagagem (na verdade, o excesso dela!) ajudou a amenizar o choque – 6 mochilas, mais 2 filhos, mais os bonecos, mais o pacote verde, não deixaram a gente sentir o que estava ficando pra trás. Pra mim, ficava uma vida que há muito tempo eu queria deixar de ter! Voilá!!!
Rapidamente:
- As crianças favoreceram a passagem pela vistoria;
- Dificuldade em carregar tudo até o portão 21 (creio… …por que nunca pode ser o número 1?);
- Prioridade pra embarcar (viva as crianças!);
- Prioridade na escolha dos bancos (já tinha reservado… …viva as crianças!!);
- Então, ajeita as bagagens, ajeita as crianças, e enfim, sentamos e suspiramos… …ironicamente olhei pra Leila, e ela olhou pra mim e não me lembro se falamos ou só pensamos algo do tipo: -”já era!” ou “e aí? Vamos ficar aqui mesmo?” ou ainda “será que dá pra descer e voltar amanhã?”… …esperei isso por muito tempo, mas não é fácil deixar a zona de segurança – mesmo sendo a zona (…de segurança é claro…) do Brasil! Pra completar, um pacote verde cheio de coisas do tipo “aquelas coisas que ficam pra sempre!” Merci mon frère!
Três aeromoças: uma fala inglês e francês, a outra só inglês e a terceira inglês e português de Portugal (quase que eu pedi pra ela falar com a gente em inglês, pois o português dela…ai ai!)… …e voilá, estávamos enfim num mundo que, definitivamente, não nos compreende! Parfait!!
A viagem foi longa, mas confesso que não senti. Fiquei acordado o tempo todo (com o Michel no colo), e nem vi o tempo passar! Pensar na guitarra Rosa… …pacote verde… …pensei na vida inteira: passado, presente e futuro! Leila, Mira Serena e Michel Albert dormiram! Acho que do avião, nada mais a acrescentar (tela individual, comida aceitável, sem contratempos ou turbulência…)… …não me lembro de nenhum outro detalhe importante!
Chegamos em Toronto por volta de 5 horas e qualquer coisa da manhã. Primeira impressão: esse aeroporto é ENORME! Saimos por último do avião. Malas, bonecos e crianças… …primeiro contato: a (santa) funcionária do aeroporto que nos deu carona num daqueles (santos) carrinhos que parecem um jipe… …comunicação… …inglês! A única coisa que saiu de bate-pronto!
Passamos pelo guichê da polícia e fomos para a imigração, e aí você começa a sentir o Canadá: são uns 15 guichês, todos abertos, mas só uma funcionária falava francês. Ela se revesava nos guichês quando solicitada. Logo, quem não falava inglês tomava um longo chá-de-cadeira!
Óbvio: perdemos o vôo para Montréal, mas sem stress: é só marcar para o próximo e esperar 30 minutos! Vôo rápido… …e enfim, depois de 13 meses e 10 dias, eu revia meu amigo Erasmo… …”eu te disse meu velho – pode esperar que de um jeito ou de outro, eu vou!”… … Cheguei!!!

Como já havia lembrado: "A amizade é um jeito de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas"! Merci beaucoup!!!
Malas no carro do “Guardião”(aguardem!) e chegamos na casa da Elaine e do Erasmo, que nos receberam realmente de braços abertos e realmente se esforçaram pra nos deixar bem à vontade… …isso fez toda a diferença e seremos eternamente gratos por isso. Espero um dia poder ao menos ter a chance de retribuir um pouco da generosidade e do carinho que recebemos de vocês. Em nome de Leila, Mira Serena e Michel Albert, lhes agradeço do fundo do coração. Merci!
No sábado fomos na missa dos brasileiros e depois jantar num restaurante etíope (comer com a mão!). Muito legal!

Na segunda-feira, pedir a Carte d’Assurance Maladie, e tirar o Numéro d’Assurance Sociale. Na terça, fomos ao 8000, boulevard Langelier para o rendez-vous d’accueil. Recebemos informações iniciais, foi feito o nosso cadastro e recebemos um número cada um. A agente d’accueil nos deu os formulários para o Soutien aux enfants, e marcou o rendez-vous d’emploi, no mesmo lugar alguns dias depois. Pegamos ainda os formulários para o rendez-vous do Cour de français à temp pleine popularmente chamado de francisação.
Ainda na primeira semana, preenchemos e levamos pessoalmente os formulários ao 800, boulevard de Maisonneuve Est. Após alguns dias recebemos pelo correio a carta com a confirmação da nossa reunião de avaliação para o dia 14 de junho.
Uma semana, encaminhamentos iniciais dados, e enquanto nos assustávamos com nossas persepções e comparações iniciais, começamos a busaca pelo nosso apartamento.
São 2 meses de história… …acho melhor dividir em posts pequenos cada período do que escrever um post gigante… …isso não foi uma pergunta, foi uma informação!
Au revoir!!!



Fiquei intrigado com uma coisa…,na missa dos brasileiros rola um pagodinho,umas mulatas…no final uma feijoada???
E vê se traduz as expressões em francês pros cupinxas tupiniquins monolingues…
Abraço pros mano…beijo pras mina…
Rogério!!!
Eu sabia que você queria ir pro Canadá, mas não que já estava aí!
Nossa, que saudades de você e do Erasmo! Sem palavras para os meus sentimentos de felicidade por saber que conseguiram conquistar o que tanto lutaram.
Parabéns… desejo tudo de bom para essa nova fase da sua vida! Felicidades para você, sua esposa e suas duas filhas.
Dê um abraço no Erasmo por mim, e sinta-se abraçado com todo o carinho e respeito de uma ex aluna, porém uma eterna admiradora sua.
Beeeeeijos,
Ana Gabi