« Viver não é nada; continuar vivendo é que constitui ato de bravura. »
« O sentido da vida é buscar qualquer sentido. »
« Uma das injustiças da vida é a responsabilidade por estar vivo. »
(do livro « O Avesso das Coisas – [aforismos] » de Carlos Drummond de Andrade)
…e a vida toma o seu curso!
Temos uma casa e muitas coisas a fazer, mas o mais importante pra nós era imprimirmos uma rotina sólida para nossos filhos – recompor nossa vida familiar. Primeiro passo: cultivar alegria, como se faz com plantas. Em Montréal, isso é fácil!
Os Parques
Num raio de 1 Km de nossa casa, temos… …6 parques com brinquedos, areia, área livre pras crianças, muito verde, muito esquilo e dois deles tem piscina pública. Moramos ao lado de uma biblioteca, e como já disse, podemos andar sem medo pelas ruas! Leila tem fotografado outros parques um pouco mais distantes nos finais de semana… …pra nós que sempre cultivamos o hábito de andar, isso é o suficiente pra nos divertirmos por anos!




...população nativa...
O Idioma
O Canadá é um país bilíngue… …pra inglês ver!!! Não se fala francês fora do Québec!!! Em Montréal sim, na maioria dos lugares você pode se comunicar em francês ou inglês – quanto mais pro centro, mais anglófono! Eu falo inglês com muita facilidade desde a faculdade, no entanto, eu não vim pro Québec pra falar inglês… …sou um ‘paladino québecois!’ (coisa do Erasmo!). Quando o cara me diz ‘good morning’, eu respondo educadamente ‘Bonjour monsieur’, ou então, estampo um sorriso ordinário e digo ‘en français, s’il vous plaît’! – tio Nino que ensinou!
Mas leva tempo pra acostumar os ouvidos e tirar a rolha da boca – e olha que sou eu que estou dizendo hein!!!
O idioma foi sim uma barreira, principalmente para Mira, então, após alugarmos e mobiliarmos o apartamento, assumimos a prioridade de ’surmonter cette barrière’ (Miguel, a idéia é você aprender o francês… …sacou?)! Começamos então a falar em francês dentro de casa, e lutar contra o problema (que nós já tínhamos conhecimento aí no Brasil) de encontrar vaga em uma Garderie.
Service de Garde
Aqui no Québec o ensino é público e obrigatório. No entanto isso vale a partir dos 6 anos da criança (completos até setembro do ano em vigor). Antes disso, as crianças podem ser matriculadas no Service de Garde, que é privado, apesar da maioria ser subsidiado. Existem 3 possibilidades:
As Garderies, as C.P.E.s e os Service de Garde Millieu Familiale. As duas primeiras se diferenciam no sistema de gestão apenas (100% privado ou comunitário, respectivamente), e a terceira são casas de família em que, geralmenre, « educatrizes » (do termo em fracês ‘Éducatrice’), se encarregam de 8 a no máximo 12 crianças (creio eu), sob uma proposta pedagógica semelhante a das Garderies e C.P.E.s.
Encontrar um Service de Garde é um problema, reconhecido pelo próprio governo. Costuma levar de 6 meses à 1 ano para conseguir uma vaga.
Nas Garderies e C.P.E.s só consegui ‘lista de espera’ e algumas nem isso. Parti então para o Service de guarde familiale, e a 300 metros de casa, achamos uma senhora – Mme. Bouvert que tinha uma vaga – tempo de busca: cerca de 20 dias. Uauuu!
Essa semana vai fazer um mês que Mira Serena começou a freqüentar a Garderie, e o francês dela já nos surpreende!!!

Première journée à l'école!
Pontos a serem destacados:
- nos pediram – na garderie – um ‘certificat de naissance provinciale’. Achei estranho pois como posso ter um ‘certificat provinciale’ se meus filhos não nasceram aqui? Mas é assim mesmo! É preciso enviar documentos originais (ou cópias certificadas), traduções (por um tradutor da OTTIAQ), um pedido por escrito e comprovante de residência para o ’bureau d’état civile’ à Québec. ‘C’est gratuit’, mais pour demander la copie du certificat de naissance provinciale, il faut payer CAD 15,00′ (é legal descobrir que você já consegue escrever em francês!).
- existem garderies à 7 dólares/ dia (são as subsidiadas), mas isso pode variar até 35 dólares/ dia, você define suas possibilidades. Visitei uma C.P.E. onde apareceu uma vaga pra Mira, que não gostei do ambiente. Onde ela está, pagamos 7 dólares e estamos muito satisfeitos (nós 3!) – como na procura do apartamento, é preciso andar e contar com sua intuição.
…e o imigrante aplicado segue a cartilha!
Ao completarmos 2 meses de Québec, a casa estava montada e Mira estava na escola. De lá pra cá, cumprimos com os demais compromissos de imigrante – segundo o guia ‘Apprendre le Québec’: quer fazer as coisas direito, siga o guia!
- fui à reunião com o agente d’emploi (8000, Langelier). Mais conversa e ele passa as informações de acordo com o seu perfil: no meu caso, orientações para sair de casa e se integrar à vida cultural da cidade, e orientações sobre a famijerada ‘Recherche d’Emploi’: « vá ao C.L.E., faça o pedido para a ‘Évaluation comparative des études effectuées hors du Québec’, procure ‘esse’ ou ‘esse’ organismo de ‘recherche d’emploi’, procure um ‘Centre d’action bénévole’, e participe de um desses grupos de discussão promovidos pelo MICC. O cara é muito gente-boa, mas ele é pago pra isso, e pra ele você é um número… …ele não vai perder o sono, nem fazer hora-extra por que você está com dificuldades de adaptação ou de arrumar trabalho… …ele parece gente-boa porque o sistema funciona e ponto! E acho que deve ser assim mesmo!!! Quanto a Leila, o agente disse que ela precisa se comunicar bem em francês antes de fazer a reunião dela!
- Me inscrevi para um grupo de discussão sobre a situação sócio-econômica do Québec – ‘quatre demi-journées’ (de 23 à 27 de junho). O nível de informação dá sono à maioria, mas eu aproveitei muito: passar o tempo todo escutando e falando francês em uma situação real de discussão foi ’superbe’. Foi bom perceber que há diferentes tipos de imigrantes, e ver que nossa preparação foi mesmo muito boa – tem muita gente que chega pra botar defeito no sistema (que óbvio, não é perfeito!), que chega sem saber ‘onde está’… …é sério!

Grupo de estudo: 'Les Réalités Socioéconomiques du Québec' - o mundo inteiro está representado aí!
-Fui ao C.L.E. (‘centre local d’emploi’) e me reuni com o agente que me deu mais informações sobre minha área especificamente e me orientou para procurar organismos de ‘recherche d’emploi’ (já tinha feito isso, numa instituição que se chama ‘Impulsion-Travail’!). Sempre gentis e você sempre sai com a impressão de que está no rumo certo… …o sistema funciona!!!
- Entrevista para a ‘francisação’: você chega o agente te chama, conversa com você e pede pra você fazer uma redação. Por causa das crianças a Leila esperou que eu terminasse a minha reunião para fazer a dela – que estava marcada para meia hora depois da minha. Os agentes foram bem compreensivos em relação a isso – aliás, com criança na história, o pessoal daqui é sempre muito gente boa!
As cartas de confirmação chegaram pra nós dois – eu nível 3 e a Leila nível 2 no início de julho. Como escolhemos fazer o curso perto de casa (longe de metrô), não foi difícil conseguir as vagas.
- Marquei reunião no ‘Centre Bénévole de Montréal-nord’ e na ‘Impulsion-Travail’ (dias 2 e 3 de julho respectivamente). Reunião no Centre bénévole… …muito bacana (adoro ser avaliado)!
Uma reunião geral na ‘Impulsion-Travail’, e uma outra no dia seguinte, individual. Fui aprovado para fazer o curso deles, que dura 5 semanas a ‘temps pleine’ – só que eu só tinha 2 dias para conseguir a autorização do meu agente de emprego, e só havia mais uma vaga… … …não foi fácil mas no dia seguinte eu estava lá com a autorização!
Começava então minha jornada ‘em busca do emprego perdido’!!!
« …eterno aprendiz das escolhas que fiz…«